Qual é o papel das mulheres na luta contra a LGBTfobia?
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Qual é o papel das mulheres na luta contra a LGBTfobia?

O papel das mulheres na luta de Stonewall e na luta contra LGBTfobia.

Adrieny Werneck e Fernanda Piccolo 25 jun 2020, 10:24

Provavelmente você conhece mulheres lésbicas, bissexuais, travestis e transsexuais. Talvez você até se identifique enquanto uma. Mas você sabe sobre nossas histórias? Sobre nossas vivências? Sobre a luta que chegou antes de nós? Estas são perguntas difíceis de se responder no mundo LBT.

Em 28 de junho de 1969, um bar chamado Stonewall, que era um dos poucos estabelecimentos dedicados a comunidade LGBT nos Estados Unidos, foi invadido por policiais que agiram violentamente e agrediram as pessoas que estavam ali. O estabelecimento já pagava propina aos policiais para conseguir se manter aberto, porém, vez ou outra, eles se achavam no direito de entrar e agredir os frequentadores simplesmente por serem LGBTs. O estopim da madrugada do dia 28 foi a agressão dos policiais contra uma mulher lésbica, que gerou grande revolta resultando em históricos protestos.

Sim, foi uma mulher lésbica agredida. E por que damos tamanha ênfase? Porque a história de Stonewall é muito conhecida, mas as histórias das mulheres são sempre camufladas e deixadas de lado. Foi a partir de Stonewall que a primeira marcha do orgulho LGBT aconteceu, foi por causa de Stonewall que nossa voz gritou “basta” cada vez mais forte. E não só: por causa de Stonewall, o mês de junho é considerado o mês de orgulho LGBTQIA. Falamos de muitas vidas que lutaram para que chegássemos onde estamos, falamos que há pouco tempo ainda éramos tratadas como doença (e em alguns lugares ainda somos), falamos sobre quebrarmos todos os padrões impostos quando mudamos nossos corpos e nos relacionamos com outras mulheres – e que não à toa o amor entre mulheres é tão chamado de revolucionário.

Além de quebrarmos todos as barreiras contra a LGBTfobia, sendo LBTs ou não, nós mulheres precisamos contar nossa própria história. Mesmo dentro do movimento LGBT temos nosso protagonismo esquecido, mascarado. Não precisamos disputar um palanque, mas precisamos estar em um palanque. Mostrar que existimos, que apanhamos, mas que também reerguemos nossas cabeças. Que contra o machismo, o racismo e o patriarcado colocamos nossos corpos na rua diariamente. Principalmente sendo LBTs em um país como o Brasil, com um presidente que não esconde o ódio que sente por nós. É um trabalho árduo, mas necessário.

Nós não somos apenas mulheres lésbicas, bissexuais, ou travestis e transsexuais. Nós somos mulheres. Somos trabalhadoras, jornalistas, advogadas, artistas, empreendedoras, atletas, médicas, enfermeiras, mães, dentre tantas outras coisas. Estamos por todos os lugares, contribuímos diariamente com a sociedade, porém precisamos ser mais. Precisamos ter mais mulher trans incluídas no mercado de trabalho, precisamos ter mulheres lésbicas negras atingindo o mesmo espaço de fala (sendo escuta!) que mulher lésbica branca, precisamos tirar a bissexualidade de uma caixinha de indecisão, sem a necessidade da heteronormatividade e empoderar essas mulheres trazendo-as para o próprio movimento. Precisamos continuar este caminho, que não começa e nem termina agora, seguindo pelas que já foram, andando ao lado das que estão nos territórios carregando (discretamente ou não) nossas bandeiras e só iremos descansar quando todas estiverem a mesma condição: sendo respeitadas, tendo suas histórias honradas.

Essas histórias nem sempre serão felizes, mesmo que o sorriso seja necessário. Por mais que existam dores, sempre existiu o afeto. Nosso afeto incomoda porque nele existe muita potência. Assim como Stonewall incomodava, mas fez história. Stonewall e as diversas histórias de pessoas LGBTs que nunca tiraram o afeto dos braços e o sorriso do rosto enquanto quebravam os padrões colocados. Quebraremos a LGBTfobia nos permitindo ser nós mesmas, nos acolhendo, nos compreendendo e reerguendo forças.


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