A fúria feminista exige Fora Bolsonaro Genocida!

A fúria feminista exige Fora Bolsonaro Genocida!

Se é verdade que o que se desenha para o próximo período são muitos ataques, responderemos com muita luta e mobilização das mulheres!

Esse texto foi escrito a partir de uma série de debates realizados em relação a combinação da crise sanitária, econômica e política que vivemos desde 2020. Está presente nosso posicionamento em relação às lutas do ano de 2021, eleições de 2022 e tarefas urgentes!

Na noite de ontem, 24/03, na marca de 3.158 mortes pela pandemia, Bolsonaro foi à televisão com um pronunciamento mentiroso. O mesmo presidente que desdenhava da vacina produzida no Butantan, mentiu ao falar que sempre esteve em defesa da vacina produzida em solo nacional. Ele, que provocou inúmeras aglomerações, incentivando o não uso da máscara de proteção, falou ontem sobre a importância dos cuidados com a Covid-19, incluindo o uso de álcool gel e máscara. Terminou com um lamento sobre as vidas perdidas pela epidemia, sendo que é um dos principais responsáveis por essa triste marca no nosso país.

Na marca de quase 300 mil mortos pela covid-19 no Brasil, o lockdown não é uma realidade palpável sem a garantia de renda. A fome é uma realidade cada vez mais dura para as famílias brasileiras e Bolsonaro propõe o absurdo de auxílio emergencial que varia de R$150 à R$375, não pagando nem uma cesta básica, que já chega a R$900 em algumas cidades do país. É nosso papel, enquanto movimento social organizado, defender o lockdown com renda digna garantida, para que todos e todas possam ter o direito de preservar suas vidas do vírus e da fome!

É essencial exigirmos um auxílio emergencial digno, respeitando a renda dupla para mães chefes de família. Ao mesmo tempo, precisamos nos colocar na linha de frente do combate à fome, como foi a ação solidária do Juntas! em Natal (RN), que distribuiu cestas básicas no dia 8 de março, ou como está sendo organizada a ação solidária do DCE da UFRGS (RS), para distribuição de alimentos e materiais de higiene para mulheres mães, além de todas ações de solidariedade que o Emancipa, movimento social por educação popular, encampa nas periferias e cidades que atua. Seremos nós, que lutaremos, da forma que for possível, pelo impeachment do Bolsonaro, por vacina já e por renda emergencial. 

No último período, vimos um debate caloroso se abrir: as eleições presidenciais de 2022. Com a  decisão de Fachin, de revogar as decisões tomadas na Operação Lava Jato, e por consequência, a retomada dos direitos políticos de Lula, chegamos novamente à polarização eleitoral entre Bolsonaro e o petismo. Cabe ressaltar nesse texto o posicionamento que o coletivo adotará sobre apoiar o candidato ou candidata que derrote Bolsonaro. Mas a questão é: O que faremos até 2022? Quantos mais terão que morrer por Covid-19 ou de fome, para que a queda de Bolsonaro seja tratada de forma urgente? Fomos pioneiras no pedido de impeachment, com o maior apoio popular, intelectual, artístico, chegando a mais de 1 milhão de assinaturas e não podemos parar até que Bolsonaro caia do seu posto. Nesse contexto, é tarefa de todos aqueles e aquelas que defendem a vida, não só reconhecer o presidente como genocida, mas lutar pela sua queda e do projeto político que representa urgentemente. As eleições são sim uma oportunidade para isso, mas não podemos aceitar que, até 2022, aceitemos esse projeto de morte imposto pelo governo Bolsonaro: organizar a fúria das mulheres que carregam o peso dessa crise não pode ficar para amanhã!

Nós, mulheres, fomos as responsáveis pela queda do corrupto Eduardo Cunha, em 2015, fomos as primeiras a organizar atos massivos de rua contra Bolsonaro, em 2018, quando ele ainda não tinha sido eleito. Fomos nós, mulheres estudantes e profissionais da educação, que fomos linha de frente nos chamados Tsunamis da Educação, em 2019, quando Bolsonaro ousou atacar as universidades e institutos federais. E obviamente, seríamos nós, as mais atacadas em seu desgoverno genocida, ao lado da Ministra Damares, inimiga número 1 das mulheres. Basta ver os inúmeros ataques ideológicos aos direitos das mulheres, para enxergar que seremos nós, as responsáveis pela queda do genocida: o incentivo de aglomeração em frente ao hospital que uma criança de 11 anos, estuprada pelo tio desde o 6, realizava o aborto (de forma legal), a tentativa de restringir ainda mais o acesso ao aborto legal e mais recente, o Estatuto da Gestante, reformulação do Estatuto do Nascituro, mais uma tentativa de retomar a criminalização total do aborto.

Se é verdade que o que se desenha para o próximo período são muitos ataques, responderemos com muita luta e mobilização das mulheres! No 8 e 14 de março, em várias cidades do país, organizamos ações de ruas para expressar nosso desespero e indignação. Colamos lambes, abrimos faixas, projetamos em prédios, batemos panelas e fizemos carreatas. Dentro das limitações sanitárias, seguir organizando essas ações de rua é também uma medida sanitária, assim como o impeachment de Bolsonaro. 


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