A luta feminista na UnB

A luta feminista na UnB

Pela reserva de vagas na creche universitária!

Operativa do Juntas na UnB 20 abr 2021, 16:48

A sociedade capitalista, racista e patriarcal na qual estamos inseridas delegou a nós, mulheres, o papel do trabalho reprodutivo, aquele que se responsabiliza pelo cuidado, pela criação e pela reprodução da classe trabalhadora. Somos nós as responsáveis por garantir a sobrevivência e o bem-estar das crianças, além de também estarmos inseridas no trabalho produtivo, ou seja, no mercado “tradicional” de trabalho. Soma-se a isso o fato de que as mulheres negras são sempre mais sobrecarregadas, por consequência do acúmulo de jornadas de trabalho e, por vezes, excluídas das esferas de participação e poder. Dessa forma, a falta de políticas públicas efetivas na sociedade implica a maior vulnerabilidade das mulheres. É dentro deste contexto, que nós, do Coletivo Juntas, entendemos que é urgente levar o debate a respeito da socialização do trabalho reprodutivo para o ambiente universitário, não apenas de forma teórica e acadêmica, mas de forma prática.


Ora, o que isso tem a ver com as mulheres na Universidade de Brasília? Bem, até a década de 70, nós representávamos apenas cerca de 25% dos estudantes matriculados nas universidade, hoje, no entanto, somos mais de 50%. São observados, ainda, dados decorrentes do “efeito tesoura” – termo que diz respeito à evasão das mulheres dos ambientes acadêmicos ao longo de suas carreiras – e, com uma queda brusca do número de mulheres nos cursos de pós graduação, que estatisticamente, coincide com a idade de primeira maternagem da maioria das estudantes, refletindo a sobrecarga das demandas, poucas vezes compartilhadas, de uma maternagem solo e o distanciamento dessas estudantes e pesquisadoras do meio e produção acadêmica.


Ocorre então, que precisamos refletir e traçar políticas sobre a permanência das mulheres no ambiente universitário. A nossa principal ferramenta para a permanência dessas mulheres e dos outros grupos vulneráveis recém ingressos na universidade é a assistência estudantil, que vem sendo vítima de constantes cortes e contingenciamentos, resistindo, apesar da instabilidade do PNAEs. A luta pela permanência das mulheres, portanto, no ambiente acadêmico, perpassa pela defesa da assistência estudantil, pois enxergamos nela o potencial de construção de políticas que garantam uma universidade coerente à sociedade que a corresponde.


A crescente luta pela implementação de creches na Universidade de Brasília tem como objetivo garantir que as mulheres, mães ou cuidadoras, possam continuar na universidade. É preciso que a UnB, de forma coletiva, se responsabilize pelo cuidado dos filhos e filhas da classe trabalhadora que, à luz de uma luta histórica, que perpassa a conquista de políticas de ações afirmativas, começa a ocupar os ambientes acadêmicos. Entendemos que esses espaços – das creches – devem estar presentes em todos os campi da UnB e podem, inclusive, servir como pólo de extensão para diversos cursos presentes na Universidade.


O nosso núcleo militante do Juntas na UnB vem pressionando pela implementação de creches desde o início de nossos trabalhos na Universidade de Brasília. No que tange ao contexto histórico mais recente, durante as últimas eleições para a reitoria, dialogamos inúmeras vezes com a atual reitora, Professora Márcia Abrahão, para concretizar a implementação deste espaço. A bandeira das creches universitárias faz parte dos nossos debates políticos do Juntas na UnB e vem sendo levada por nossas militantes em todos os espaços que construímos, entre eles os Centros Acadêmicos de nossos cursos e o Diretório Central dos Estudantes. Além disso, apresentamos essa proposta – vinculada à construção a longo prazo de uma possível Escola Universitária – na pré-conferência de assistência estudantil – que ocorreu no mês de abril – e nos espaços de construção do Fórum de Mulheres da UnB, que, por sua vez, terá suas atividades divulgadas em breve.


As negociações da Administração Superior com a Secretaria de Educação do DF, a fim de tornar essa política uma realidade, estão acontecendo e isso é um bom sinal. O terreno para a construção do pólo está disponível e o secretário aparentemente tem interesse em executar a obra com recursos do FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação.


Seria uma excelente notícia, caso a Secretaria de Educação garantisse a reserva de vagas para os filhos e filhas da comunidade acadêmica. Infelizmente, a proposta da Secretaria de Educação não é ter vagas reservadas para a UnB. Com essa perspectiva, a UnB corre o risco de seguir com a grande evasão de mulheres – principalmente evasão das mulheres negras e/ou periférica que em grande parte precisam conciliar o cuidado de familiares com estudo e trabalho laboral- sejam elas professoras, estudantes ou técnicas administrativas, se não tivermos uma creche com vagas destinadas à comunidade acadêmica. A ideia de uma creche/ creche-escola universitária é atender prioritariamente às demandas da universidade. Esses pólos devem servir como uma política de permanência estudantil. Além das servidoras-técnicas, docentes e discentes, precisamos que a demanda das servidoras terceirizadas também sejam atendidas com essa política.


As negociações da UnB com a Secretaria de Educação seguem acontecendo tendo como interlocutora a Professora Eloisa Pilati, com a qual entramos em contato a fim de acompanhar o processo mais de perto. É nesse sentido que o Coletivo Juntas manifesta sua preocupação com a forma pela qual a nossa tão esperada creche universitária se consolidará. A luta do Movimento Estudantil e do Movimento Feminista da UnB deve ser para que a maior parte das vagas seja reservada para as crianças cujas cuidadoras compõem os quatro setores da comunidade acadêmica.
A nossa luta é pela permanência das mulheres nas universidades e, portanto, pedimos CRECHES UNIVERSITÁRIAS PARA A UnB, JÁ!


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