Rumo ao 8M: Feministas Antifascistas por mulheres vivas e pelo fim das guerras!
O Coletivo Juntas ocupará as ruas neste 8 de março contra o feminicídio e pelo fim das guerras!
Conjuntura internacional
A ascensão da extrema direita imperialista ao redor do mundo segue sendo o grande e principal enfrentamento de nosso tempo. O crescimento de alternativas neofascistas em resposta à crise do capital que se acumula há décadas precisa ser combatido nas ruas e com unidade entre os povos. A cada dia que passa, o avanço de discursos extremistas se combina com uma política concreta de ataques aos Direitos Humanos, que tem como protagonistas líderes de potências mundiais, como é o caso de Donald Trump, nos EUA. O avanço no discurso anti-imigração escancara a política de extermínio e violação aos grupos marginalizados e consegue aglutinar seguidores através de discursos de ódio que têm como alvo mulheres, crianças, LGBTQIAPN+, pessoas negras e imigrantes.
Enquanto dentro de seu país Trump parte pra cima de seus inimigos internos, coordena uma ofensiva externa em países latino americanos e do Oriente Médio com o objetivo de aumentar a exploração e expandir sua dominação dos territórios. Os ataques sem precedentes contra a Venezuela e o Irã se somam a um cenário já conflagrado de guerra no mundo, com o genocídio ainda em curso na Palestina e agressão imperialista de Rússia sobre a Ucrânia, acendendo ainda mais forte o alerta de desestabilização da ordem mundial, num período no qual a força das armas volta a ser o principal termômetro de poder.
Como resposta a isso, diversas mobilizações da juventude e das mulheres pelo mundo expressam que ainda existe resistência contra o imperialismo e o fascismo e reacendem a luta por soberania, como, por exemplo, os atos de solidariedade internacional ao povo palestino, às mulheres curdas em Rojava, ao povo venezuelano, bem como a resistência do povo americano contra as políticas de extermínio do ICE.
A importância do movimento feminista neste momento histórico é fundamental, retomando a força da Primavera Feminista e o papel central da nossa luta contra o imperialismo, o fascismo e pela liberdade. Nossa aposta é nas mobilizações para derrotarmos a extrema direita e sua política de dominação e opressão! A luta feminista é internacional, pela libertação da classe trabalhadora e de qualquer tipo de exploração, afinal: enquanto uma de nós não for livre, nenhuma será!
Brasil: violência de gênero, feminicídios e pedofilia
No final de 2025, construímos uma grande mobilização com o ato “Levante Mulheres Vivas”, reacendendo a força do movimento feminista, como visto na Primavera Feminista, e colocando em xeque a ideia de que o movimento feminista brasileiro não tinha mais capacidade de mobilização nas ruas. O ato foi uma resposta à epidemia de feminicídios que vivemos no país, reafirmando mais uma vez o papel das lutas como o melhor caminho para canalizar as revoltas e pressionar para o avanço dos nossos direitos.
De acordo com o Atlas da Violência 2025, realizado pelo Ipea, o feminicídio e a violência de gênero seguem registrando números alarmantes no Brasil. A situação é ainda mais crítica quando comparamos pelo marcador racial: entre 2013 e 2023, as mulheres negras representaram 67,1% do total de vítimas de feminicídios e 58,5% das vítimas de violência doméstica. Também preocupam os dados que apontam maior incidência de violência intrafamiliar contra crianças de 0 a 9 anos. O estudo mostra ainda que as armas de fogo seguem sendo o principal meio utilizado nos homicídios de mulheres (em 2023, cerca de 51,6% foram mortas dessa forma) evidenciando a relação direta entre a circulação de armamentos e a letalidade da violência de gênero. Por fim, a violência contra pessoas LGBTQIA+ também se mantém preocupante: 12,4% dos registros tiveram como motivação a orientação sexual, com crescimento de 43,2% em relação a 2022, revelando a persistência da discriminação e como a sexualidade, marcada pelas relações patriarcais de gênero, ainda constitui um fator de maior exposição à violência.
Infelizmente, os casos de feminicídios e violências de gênero não são casos isolados, são reflexos claros da cultura de morte que naturaliza a violência e o extermínio de mulheres. Essa realidade tem como base estruturante o sistema capitalista, evidenciando a necessidade de dominação das mulheres para manter o funcionamento do sistema. Ao mesmo tempo, a extrema direita se articula e serve como suporte ideológico, contribuindo para o aprofundamento dessas violências, incentivando e consolidando um projeto de poder baseado nesses ataques misóginos, como podemos ver com clareza na cultura red pill, disseminada nas redes sociais.
Por outro lado, o governo Lula se mostra incapaz de apresentar respostas concretas às demandas das mulheres brasileiras. Exemplo disso é a proposta do Pacto Nacional Contra o Feminicídio, que busca formalizar um acordo entre os três poderes — Executivo, Legislativo e Judiciário — para avançar em medidas penais nos casos de violência e misoginia, inclusive nas redes. Reconhecemos a importância dessa proposta, mas é preciso mais: exigimos mudanças concretas e que, de fato, proporcionem impacto na vida das mulheres, como mais casas abrigo, construção das 40 “Casas da Mulher Brasileira” prometidas, delegacias das mulheres 24 horas, orçamento para programas de prevenção à violência de gênero, entre outros. E para que tudo isso seja possível, é urgente derrubar o arcabouço fiscal, política neoliberal deste governo, que impede investimentos robustos nas políticas que mais importam para o nosso povo.
A luta contra a violência sexual contra meninas também deve estar no centro das nossas mobilizações. A recente decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que validou a união de uma criança de 12 anos com um homem de 35 anos, acusado de estupro de vulnerável colocou em cena a urgência da luta feminista contra a pedofilia. Através de muita mobilização nas redes e nas ruas, derrubamos essa manobra absurda. É preciso reafirmar que não aceitaremos a normalização da pedofilia sob o disfarce de ‘casamento’ e não iremos aceitar a legalização da barbárie: Criança não é Esposa!
Feministas Antifascistas por mulheres vivas e pelo fim das guerras!
Diante desses diversos ataques e extermínios direcionados às mulheres e aos povos oprimidos de todo o mundo, é preciso reafirmar a importância e a potência da mobilização nas ruas. A força da Primavera Feminista reacende-se globalmente e nacionalmente, inspirando mobilizações da juventude e das mulheres. Além disso, a derrubada do Decreto nº 12.600/2025 conquistada pelos indígenas do Baixo Tapajós, após ocuparem a Cargill, mostram que só a luta conquista e que, quando nossos direitos estão sendo negociados e atacados, as respostas têm que vir da mobilização popular!
Diante desse cenário de multicrises — econômica, política, social e ambiental — articulado ao fortalecimento da extrema direita e à reatualização de tendências neofascistas, que se observa uma nova intensificação das lutas feministas. Vemos novamente as mulheres ocupando as ruas e se afirmando como ponta de lança nas mobilizações sociais, como no movimento Mulheres Vivas e na Marcha Nacional de Mulheres Negras posicionando-se na linha de frente contra o avanço do neofascismo e das formas atualizadas de dominação imperialista. É com esse sentido que ocuparemos as ruas de todo o país em mais este dia 8 de março, dia internacional de luta das mulheres trabalhadoras!
Também imbuídas dessa mesma tarefa, somos parte impulsionadora da I Conferência Internacional Antifascista e pela Sobrenia dos Povos, que acontecerá em Porto Alegre entre os dias 26 e 29 de março, e que cumprirá um papel estratégico na articulação dessas lutas de resistência, ao reunir as lutas antifascistas, feministas, antirracistas, pela soberania dos povos, pela defesa da terra e de seus recursos. A superação da violência de gênero precisa estar ligada diretamente com a construção de condições reais para a emancipação das mulheres e isso só será possível transformando radicalmente as estruturas do sistema capitalista. Com isso, reafirmamos a necessidade de um programa político que seja capaz de enfrentar a extrema direita neofascista, os imperialismos, a barbárie climática, possibilitando a construção de um novo projeto de sociedade radicalmente diferente.