Um breve balanço do Juntas sobre a Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos

Um breve balanço do Juntas sobre a Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos

Um marco de unidade contra o fascismo e o papel do Juntas na construção de uma alternativa feminista antifascista e ecossocialista.

A participação do coletivo Juntas na Conferência Antifascista

          Juntas é um coletivo que existe desde 2011 em várias regiões do Brasil, tem sua orientação política no Movimento Esquerda Socialista, corrente interna do PSOL que organizou a Conferência Antifascista. Nossas fundadoras são parlamentares feministas e representam tribunas do povo ao redor do país. Por isso, a Conferência Intenacional Antifascista não foi apenas uma agenda em março, mas sim uma tarefa política de construção que envolveu a elaboração e a organização da nossa Coordenação Nacional. No contexto da luta por mulheres vivas e pelo fim das guerras, que culminou no dia internacional da mulher, aproveitamos para encontrar com mulheres de diferentes lugares do mundo e mostrar que o movimento feminista é, além de diverso, uma frente extremamente necessária para defender nossos direitos, territórios e para o enfrentamento ao fascismo.

          Com participação de delegações nacionais e equipes locais, o Coletivo Juntas fez uma intervenção organizada na Marcha Antifascista em Porto Alegre, atividade que abriu os trabalhos da Conferência, além de promover e impulsionar duas atividades autogestionadas que se consolidaram como verdadeiras conferências sobre desafios e estratégia feminista para derrotar o fascismo: A mesa “Feminismo Ecossocialista: A Resposta Antifascista à Barbárie Climática”, com participação de Vivi Reis, vereadora do PSOL – Belém, Auricélia Arapiun, liderança indígena; Jorgelina Matusevicius, do Marabunta – Argentina; Eduarda Silva, do Juntas! MG, Elisa Lanes, do Juntas! RS, e a atividade “Feminismo e a Luta Antifascista”, com participação de Sâmia Bomfim, Fernanda Melchionna, Manuella D’Ávila, Luana Alves, Vivi Reis, Mathilde Marendaz, deputada estadual suíça, e Estella Galán, Eurodeputada pelo SUMAR. É importante também mencionar que fizeram parte da programação da conferência o lançamento da Revista Retomada, e a realização de um potente painel da Vl Internacional para o lançamento do “Manifesto por uma Revolução Ecossocialista”. A necessidade de derrotar o fascismo, lutar pela vida das mulheres e em defesa de um futuro ecossocialista, ao lado dos povos tradicionais que lutam em defesa de seus territórios, são pontos em comum para feministas de todo o mundo.

Assim como vivemos um novo momento na política internacional, o feminismo também passa por uma nova fase. Por um lado, os desafios são diferentes, mas o programa do nosso inimigo permanece o mesmo: o repúdio a qualquer avanço dos direitos das mulheres da classe trabalhadora. O Juntas se propõe a ser um movimento que atua diretamente nas lutas, acumula aprendizados e organiza a geração que vai derrotar o fascismo no mundo. Seguiremos o exemplo do movimento indígena do Baixo Tapajós, não arredaremos o pé da luta pelos nossos direitos e assim reafirmamos nossa crença na afirmação do programa feminista e radical.

Conclusões políticas da conferência

A conferência foi um esforço bem-sucedido de unidade de ação contra o fascismo. Começamos, portanto, por esse ponto: reconhecer e nomear aquilo que é. Como Tom Morello, guitarrista da banda Rage Against the Machine, afirmou em um show em Minneapolis: “Se parece com fascismo, soa como fascismo, age como fascismo e mata como fascismo, então é fascismo”. Para nós, nomear não significa tratar o problema como uma questão meramente teórica nem encará-lo com terror ou paralisia, mas, a partir dessa caracterização, armar nossas lutas e orientar nossa intervenção.

Reafirmamos, assim, nossa disposição de luta nas ruas para derrotar esse projeto genocida, representado por Trump, Netanyahu, Putin, entre outros, e para construir um pacto pela soberania dos povos. Nesse sentido, nossa orientação é seguir apostando nos setores dinâmicos da classe, entre os quais se destacam o movimento feminista, as lutas antirracistas e as mobilizações contra as guerras e o imperialismo.

Foram também fundamentais as contribuições das diversas mesas e debates, que articularam análise de conjuntura internacional e projeto de futuro. As Big Techs são hoje algumas das principais financiadoras de governos fascistas. Além de lucrarem com publicidade nas redes e com a plataformização do trabalho, a permissividade e omissão deliberada das plataformas ao não remover conteúdos misóginos e masculinistas é absurda, o que torna clara a sua posição de disputa para uma visão de mundo baseada no patriarcado e na meritocracia. É fundamental posicionar os bilionários CEOs das Big Techs como alvos de enfrentamento feminista, uma vez que o virtual e o real fazem parte de uma mesma totalidade, que vai do combate aos redpill à regulamentação das redes e à criminalização do discurso de ódio.

Destacamos o rico debate realizado em nossa atividade de mulheres com Auricélia, Vivi, Jorgelina, Eduarda e Elisa, que aprofundou a compreensão sobre a articulação entre a crise climática e a crise capitalista, o combate à extrema-direita e a luta dos povos indígenas. A partir desse diálogo, ficou evidente que experiências como a ocupação da Cargill, em Santarém, protagonizada pelas mulheres do movimento indígena do baixo tapajós expressam um acúmulo de enfrentamentos, marcadas por luta, coragem e resistência diante das pressões das elites locais e internacionais. Essas experiências radicalizadas demonstram que é na mobilização coletiva que se conquista recuos da agenda neoliberal, arranca vitórias concretas e se abrem caminhos para uma nova perspectiva de futuro, que se fortalece com a resistência feminista, e aponta para uma saída ecossocialista que não só rompa com o capitalismo e também com sua lógica de produção e enfrente sua lógica de exploração e destruição dos territórios e da vida.

Também demos um passo importante com a mesa da nossa frente de negritude, o Movimento Maré Negra, que contribuiu para aprofundar a compreensão de que o imperialismo é intrinsecamente racista e de que não há fascismo sem racismo. A partir desse acúmulo, categorizamos que o genocídio do povo palestino e a perseguição do ICE a imigrantes nos Estados Unidos não são episódios isolados, mas expressões de uma mesma lógica de dominação, guerra e expropriação dos povos racializados. A luta antirracista se afirma como um eixo estratégico e indispensável para o enfrentamento do imperialismo e a derrota do fascismo.

Por fim, ressaltamos a necessidade dos debates sobre os rumos e as disputas internas no PSOL. É urgente a organização de uma esquerda combativa, que se apresente nas eleições a partir de um programa radical, feminista e antifascista a serviço da classe trabalhadora, que seja ativo na luta pela redução da jornada de trabalho, pela taxação dos super ricos  e em defesa dos rios, territórios e maretórios, e como ferramenta para avançarmos nessas lutas nós temos no MES um núcleo aglutinador da esquerda revolucionária.


A campanha ‘’Na minha escola redpill não se cria’’ e novos desafios contra a extrema-direita

A ascensão do movimento RedPill pode até parecer uma invenção moderna, mas, historicamente, a cada onda de emancipação das mulheres surge um movimento masculino de “restauração” da ordem social. Não se trata de uma coincidência, mas de um sintoma político profundo da crise do capitalismo: em um contexto de precarização do trabalho e da vida, marcado pelo avanço do neoliberalismo, homens da classe trabalhadora sentem na pele a perda de privilégios e direcionam sua raiva contra as mulheres, estimulados por ideais anti-feministas e conspiratórias. O que se apresenta como novidade nessa onda masculinista, em relação a períodos anteriores, é o uso da tecnologia como aliada na propagação ultrarrápida de ideologias misóginas. Isso, toma força quando se soma à falta de regulamentação dos espaços digitais, que contribui para a exposição cotidiana de crianças e adolescentes a conteúdos violentos e impróprios.

A extrema-direita tem se utilizado do ressentimento masculino para construir uma narrativa de vitimização, na qual as mulheres são colocadas como inimigas, ampliando o discurso misógino em diversos espaços e colocando em risco a segurança de mulheres e crianças. Essa mesma narrativa é utilizada como cortina de fumaça enquanto avançam agendas de privatização e retirada de direitos, enquanto a sociedade é levada a debater a “moralidade”, o capital avança sobre os bens comuns. As trends populares entre garotos no tiktok sobre como reagir à rejeição, em um contexto de ascensão dos feminicídios, revelam um objetivo claro de enfraquecer as conquistas da primavera feminista da última década.

Por isso, entre as atividades e as ruas de Porto Alegre, elegemos a luta contra os Redpill dentro das escolas como uma tarefa central para 2026. Não é por acaso que a conferência tenha sido o contexto dessa decisão: o desejo de lutar e vencer se fortaleceu a cada debate e nas trocas de experiências com feministas de diferentes partes do mundo. Os fascistas poderiam imaginar que sucumbiríamos à desesperança diante do aumento da violência contra meninas, dentro e fora das escolas, ou diante do fato de que meninos se sentem cada vez mais autorizados a reproduzir violência. No entanto, a luta coletiva já se provou uma das principais armas contra a dureza da crise, e é por isso que a política feminista deve ser levada para dentro das escolas como ferramenta de transformação social e de gênero.  Contra a “pílula vermelha” da misoginia nas escolas, defendemos a organização da luta feminista.


Na minha escola redpill não se cria!

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